Eficácia e segurança: Lisdexanfetamina vs Atomoxetina no TDAH | Estudo Clínico

Eficácia e segurança do dimesilato de lisdexanfetamina
versus atomoxetina no tratamento do TDAH

Dr. Fabio Martins Fonseca | CRM.94.694-SP e RQE: 49.916
Graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); residência em psiquiatria e Psicoterapia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); certificação Internacional em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pelo Beck Institute; especialização em Terapia Comportamental Dialética (DBT) pelo Linehan Institute; certificação pela Academy of Cognitive Therapy

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é comum na população pediátrica e adolescente. Embora o metilfenidato (MPH) seja um tratamento de primeira linha, cerca de 30% dos pacientes não respondem adequadamente a ele, exigindo alternativas eficazes. Por isso, foi conduzido um estudo1 comparando diretamente o dimesilato de lisdexanfetamina (LDX) e a atomoxetina (ATX), fármacos com diferentes mecanismos de ação.

SPD489-317 Estudo Fase IIIb
267 pacientes (6 a 17 anos)
Randomizado duplo-cego
9 semanas duração
📋 Desenho do estudo: Pacientes com TDAH moderado com resposta insuficiente ao MPH. Participantes receberam LDX (30-70 mg/dia) ou ATX (40-100 mg/dia) — doses ajustadas por peso. O desfecho primário foi o tempo até a primeira resposta clínica (redução >30% na escala ADHD-RS-IV e pontuação 1–2 na CGI-I).

🎯 Resultado primário: A LDX mostrou superioridade significativa com tempo mediano de resposta de 12 dias versus 21 dias para ATX (p = 0,001). Ao final do estudo, 81,7% dos pacientes tratados com LDX responderam, em comparação a 63,6% com ATX (p = 0,001).

📊 Tabela 1. Alterações médias na escala ADHD-RS-IV (do valor basal até a semana 9)

ParâmetroLDX (n=128)ATX (n=110)Diferença (IC 95%)Tamanho do efeitoValor de p
Pontuação total-25,8-19,3-6,5 (-9,3 a -3,6)0,56<0,001
Subescala de desatenção-13,3-10,1-3,2 (-4,8 a -1,6)0,53<0,001
Subescala de hiperatividade e impulsividade-12,5-9,2-3,3 (-5,0 a -1,6)0,53<0,001

⚠️ Eventos adversos mais frequentes (≥5% em qualquer grupo)

  • Diminuição do apetite LDX 36% | ATX 12,7%
  • Cefaleia 20,1% | 21,8%
  • Perda de peso 15,9% | 5,5%
  • Náusea 11,6% | 14,5%
  • Insônia 10,4% | 8,2%
  • Sonolência 4,9% | 12,7%
  • Fadiga 3% | 7,3%

📉 Parâmetros metabólicos e cardiovasculares

Ambos os tratamentos foram associados a aumentos modestos na pressão arterial e frequência cardíaca. A LDX foi associada a maior redução de peso (-1,30 kg versus -0,15 kg), com 26,8% dos pacientes apresentando redução ≥7% do peso basal (vs 4,5% com ATX).

Eventos adversos emergentes do tratamento (TEAEs): 71,9% (LDX) e 70,9% (ATX). Maioria de intensidade leve a moderada, sem mortes ou eventos graves.

🏥 Implicações clínicas

Os resultados desse estudo head-to-head fornecem evidências robustas de que a LDX oferece vantagens significativas sobre a ATX em pacientes pediátricos com TDAH e resposta insuficiente ao metilfenidato.

⚡ Início de ação mais rápido resposta clínica 9 dias mais precoce
📈 Maior taxa de resposta +18,1 pontos percentuais
📉 Maior redução sintomática em todos os domínios avaliados

Essas diferenças são clinicamente relevantes e podem impactar positivamente a aderência ao tratamento e a qualidade de vida de pacientes e familiares. O perfil geral de segurança foi aceitável e consistente com a literatura prévia.

✅ Conclusão: Para crianças e adolescentes com TDAH e resposta inadequada ao metilfenidato, o dimesilato de lisdexanfetamina demonstra superioridade clínica significativa sobre a atomoxetina em termos de rapidez de resposta, taxa de respondedores e magnitude de redução sintomática, mantendo perfil de segurança aceitável. Esses achados posicionam a LDX como uma opção terapêutica preferencial para essa população específica.

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