Eficácia e segurança do dimesilato de lisdexanfetamina
versus atomoxetina no tratamento do TDAH
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é comum na população pediátrica e adolescente. Embora o metilfenidato (MPH) seja um tratamento de primeira linha, cerca de 30% dos pacientes não respondem adequadamente a ele, exigindo alternativas eficazes. Por isso, foi conduzido um estudo1 comparando diretamente o dimesilato de lisdexanfetamina (LDX) e a atomoxetina (ATX), fármacos com diferentes mecanismos de ação.
🎯 Resultado primário: A LDX mostrou superioridade significativa com tempo mediano de resposta de 12 dias versus 21 dias para ATX (p = 0,001). Ao final do estudo, 81,7% dos pacientes tratados com LDX responderam, em comparação a 63,6% com ATX (p = 0,001).
📊 Tabela 1. Alterações médias na escala ADHD-RS-IV (do valor basal até a semana 9)
| Parâmetro | LDX (n=128) | ATX (n=110) | Diferença (IC 95%) | Tamanho do efeito | Valor de p |
|---|---|---|---|---|---|
| Pontuação total | -25,8 | -19,3 | -6,5 (-9,3 a -3,6) | 0,56 | <0,001 |
| Subescala de desatenção | -13,3 | -10,1 | -3,2 (-4,8 a -1,6) | 0,53 | <0,001 |
| Subescala de hiperatividade e impulsividade | -12,5 | -9,2 | -3,3 (-5,0 a -1,6) | 0,53 | <0,001 |
⚠️ Eventos adversos mais frequentes (≥5% em qualquer grupo)
- Diminuição do apetite LDX 36% | ATX 12,7%
- Cefaleia 20,1% | 21,8%
- Perda de peso 15,9% | 5,5%
- Náusea 11,6% | 14,5%
- Insônia 10,4% | 8,2%
- Sonolência 4,9% | 12,7%
- Fadiga 3% | 7,3%
📉 Parâmetros metabólicos e cardiovasculares
Ambos os tratamentos foram associados a aumentos modestos na pressão arterial e frequência cardíaca. A LDX foi associada a maior redução de peso (-1,30 kg versus -0,15 kg), com 26,8% dos pacientes apresentando redução ≥7% do peso basal (vs 4,5% com ATX).
Eventos adversos emergentes do tratamento (TEAEs): 71,9% (LDX) e 70,9% (ATX). Maioria de intensidade leve a moderada, sem mortes ou eventos graves.
🏥 Implicações clínicas
Os resultados desse estudo head-to-head fornecem evidências robustas de que a LDX oferece vantagens significativas sobre a ATX em pacientes pediátricos com TDAH e resposta insuficiente ao metilfenidato.
Essas diferenças são clinicamente relevantes e podem impactar positivamente a aderência ao tratamento e a qualidade de vida de pacientes e familiares. O perfil geral de segurança foi aceitável e consistente com a literatura prévia.
✅ Conclusão: Para crianças e adolescentes com TDAH e resposta inadequada ao metilfenidato, o dimesilato de lisdexanfetamina demonstra superioridade clínica significativa sobre a atomoxetina em termos de rapidez de resposta, taxa de respondedores e magnitude de redução sintomática, mantendo perfil de segurança aceitável. Esses achados posicionam a LDX como uma opção terapêutica preferencial para essa população específica.
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