Formação e Organização · Interconsulta Psiquiátrica

Formação Profissional e Organização de Serviços

Interconsulta Psiquiátrica
Estruturação do serviço, capacitação da equipe e modelo assistencial.

Um serviço de interconsulta deve oferecer aos profissionais em treinamento conhecimento e estratégias para diagnosticar e tratar transtornos psiquiátricos, além de lidar com situações psicológicas emergentes envolvendo pacientes, familiares e equipe.

Três áreas essenciais na formação

Manifestações psiquiátricas orgânicas

Causadas por doenças clínicas, intoxicações, traumas, procedimentos e tratamentos médicos. Exige capacitação em medicina geral para diagnosticar condições comórbidas.

Psicologia médica

Versatilidade, personalidade e criatividade. Capacidade de acolher, ouvir com empatia e, depois, distanciar-se para decisões pragmáticas.

Funcionamento de grupos e instituições

Conhecimento e experiência em grupos operativos. Compreensão das normas institucionais que regulam ações e reações dos profissionais.

Periódicos de referência: Psychosomatics e General Hospital Psychiatry. Diretrizes da APA, APM e EACLPP.

Recursos humanos e dimensionamento

A organização demanda tempo e recursos. Inicialmente, priorizar atendimento de pacientes internados; depois, ampliar para outras tarefas institucionais.

1–2,5%

dos pacientes internados recebem solicitação de interconsulta (taxa que tende a crescer com o reconhecimento do serviço).

≥ 2 horas

por interconsulta (incluindo pelo menos uma visita de seguimento).

Incluir no cálculo: seminários, reuniões clínicas e outras tarefas institucionais.

A interconsulta é uma situação emergencial

Não adiar nem burocratizar. A interconsulta deve ser atendida prontamente, pois o paciente tem um problema agudo ou a equipe está muito aflita. "Quando solicita a interconsulta, quer a presença urgente do psiquiatra, pois urgente é sua aflição."

É preciso estruturar uma rotina que assegure o cumprimento de todas as etapas. A experiência na Unicamp mostra que revisar periodicamente se as etapas estão sendo seguidas mantém a qualidade e a confiança dos colegas.

A interconsulta requer dedicação de tempo

O tempo é necessário para: localizar o médico assistente, aguardar disponibilidade do paciente, ampliar a entrevista para enfermagem e familiares, revisar o prontuário, lidar com interrupções e dar retorno à equipe. Situações clínicas dinâmicas exigem presença mais frequente.

O psiquiatra de hospital geral é convidado para atividades profiláticas, treinamentos, comissões e pesquisas. Deve adotar uma atitude receptiva-ativa, em vez de espera passiva.

A interconsulta ambulatorial

No HC da Unicamp, o Ambulatório de Interconsulta Psiquiátrica funciona como interface entre a psiquiatria e outras especialidades. Inicialmente com agendamento, percebeu-se que isso prejudicava o contato inicial e a devolutiva.

Plantão de interconsulta

Diariamente, por duas horas pela manhã, um interconsultor fica disponível no ambulatório para receber diretamente os médicos assistentes, sem agendamento prévio.

Vantagens: troca imediata de informações, resposta a dúvidas, valorização da implicação do médico assistente. Se necessário, o interconsultor agenda a avaliação do paciente e combina a devolutiva.

O ambulatório também permite a reavaliação de pacientes atendidos durante a internação, complementando o trabalho da enfermaria e aumentando a resolutividade.

Seminários teóricos e reuniões clínicas

"Não ter vinculação com uma equipe e fazer consultoria esporadicamente significa entrar em campo só para 'apagar incêndios'. Isso torna crítica a qualidade do trabalho."

As reuniões da interconsulta são um espaço de convivência e reflexão sobre a tarefa médica. O profissional que domina as técnicas da interconsulta aumenta sua percepção da problemática dos pacientes, utiliza melhor suas reações como instrumento semiológico e interage melhor com colegas de outras especialidades.

"A presença de uma equipe de interconsulta em um hospital geral indica a coexistência de duas ações médicas: uma ativa, que soluciona problemas; e outra reflexiva-continente, que atua na relação médico-paciente." (Ferrari et al., 1977)

Referências principais: Botega NJ (1992); Nogueira-Martins LA (1993); Leentjens AF et al. (2011); Heinrich TW et al. (2014); Ferrari H, Luchina N, Luchina IL (1977).

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