Formação Profissional e Organização de Serviços
Um serviço de interconsulta deve oferecer aos profissionais em treinamento conhecimento e estratégias para diagnosticar e tratar transtornos psiquiátricos, além de lidar com situações psicológicas emergentes envolvendo pacientes, familiares e equipe.
Três áreas essenciais na formação
Manifestações psiquiátricas orgânicas
Causadas por doenças clínicas, intoxicações, traumas, procedimentos e tratamentos médicos. Exige capacitação em medicina geral para diagnosticar condições comórbidas.
Psicologia médica
Versatilidade, personalidade e criatividade. Capacidade de acolher, ouvir com empatia e, depois, distanciar-se para decisões pragmáticas.
Funcionamento de grupos e instituições
Conhecimento e experiência em grupos operativos. Compreensão das normas institucionais que regulam ações e reações dos profissionais.
Periódicos de referência: Psychosomatics e General Hospital Psychiatry. Diretrizes da APA, APM e EACLPP.
Recursos humanos e dimensionamento
A organização demanda tempo e recursos. Inicialmente, priorizar atendimento de pacientes internados; depois, ampliar para outras tarefas institucionais.
dos pacientes internados recebem solicitação de interconsulta (taxa que tende a crescer com o reconhecimento do serviço).
por interconsulta (incluindo pelo menos uma visita de seguimento).
Incluir no cálculo: seminários, reuniões clínicas e outras tarefas institucionais.
A interconsulta é uma situação emergencial
Não adiar nem burocratizar. A interconsulta deve ser atendida prontamente, pois o paciente tem um problema agudo ou a equipe está muito aflita. "Quando solicita a interconsulta, quer a presença urgente do psiquiatra, pois urgente é sua aflição."
É preciso estruturar uma rotina que assegure o cumprimento de todas as etapas. A experiência na Unicamp mostra que revisar periodicamente se as etapas estão sendo seguidas mantém a qualidade e a confiança dos colegas.
A interconsulta requer dedicação de tempo
O tempo é necessário para: localizar o médico assistente, aguardar disponibilidade do paciente, ampliar a entrevista para enfermagem e familiares, revisar o prontuário, lidar com interrupções e dar retorno à equipe. Situações clínicas dinâmicas exigem presença mais frequente.
O psiquiatra de hospital geral é convidado para atividades profiláticas, treinamentos, comissões e pesquisas. Deve adotar uma atitude receptiva-ativa, em vez de espera passiva.
A interconsulta ambulatorial
No HC da Unicamp, o Ambulatório de Interconsulta Psiquiátrica funciona como interface entre a psiquiatria e outras especialidades. Inicialmente com agendamento, percebeu-se que isso prejudicava o contato inicial e a devolutiva.
Plantão de interconsulta
Diariamente, por duas horas pela manhã, um interconsultor fica disponível no ambulatório para receber diretamente os médicos assistentes, sem agendamento prévio.
Vantagens: troca imediata de informações, resposta a dúvidas, valorização da implicação do médico assistente. Se necessário, o interconsultor agenda a avaliação do paciente e combina a devolutiva.
O ambulatório também permite a reavaliação de pacientes atendidos durante a internação, complementando o trabalho da enfermaria e aumentando a resolutividade.
Seminários teóricos e reuniões clínicas
As reuniões da interconsulta são um espaço de convivência e reflexão sobre a tarefa médica. O profissional que domina as técnicas da interconsulta aumenta sua percepção da problemática dos pacientes, utiliza melhor suas reações como instrumento semiológico e interage melhor com colegas de outras especialidades.
"A presença de uma equipe de interconsulta em um hospital geral indica a coexistência de duas ações médicas: uma ativa, que soluciona problemas; e outra reflexiva-continente, que atua na relação médico-paciente." (Ferrari et al., 1977)
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