Interrupção no desenvolvimento
O distúrbio do impulso à curiosidade, do qual depende toda a aprendizagem, e a negação do mecanismo através do qual este impulso busca expressão, torna impossível o desenvolvimento normal. Um outro aspecto se impõe se o andamento da análise for favorável: os problemas que em linguagem sofisticada são postos em termos da pergunta "Por quê?" não podem ser formulados. O paciente parece não ter uma estimativa de causação e queixar-se-á de estados mentais dolorosos ao mesmo tempo em que persiste numa série de atos destinados a produzi-los.
Conclusões
As principais conclusões desse artigo referem-se a esse estado mental em que a psique do paciente contém um objeto interno que se opõe e destrói todo e qualquer elo de ligação, desde o mais primitivo (que sugeri ser um grau normal de identificação projetiva) até as mais sofisticadas formas de comunicação verbal e as artes.
💔 O ódio à emoção
Nesse estado mental, a emoção é odiada; é sentida como sendo forte demais para ser contida pela psique imatura, e como ligando objetos e dando realidade a objetos que são não-self e, portanto, hostis ao narcisismo primário.
O objeto interno, que em sua origem era o seio externo que se recusava a introjetar, acolher e, assim, modificar a força nociva da emoção, é sentido, paradoxalmente, como intensificando – relativamente à força do ego – as emoções contra as quais ele inicia os ataques. Esses ataques à função de ligação da emoção levam a uma proeminência excessiva, na parte psicótica da personalidade, de elos de ligação que parecem ser lógicos, quase matemáticos, mas nunca emocionalmente razoáveis. Consequentemente, os elos de ligação que sobrevivem são perversos, cruéis e estéreis.
O objeto externo que é internalizado, sua natureza e efeito, uma vez internamente estabelecido, sobre os métodos de comunicação no interior da psique e com o ambiente, ficam para maior elaboração posterior.
📚 Referências bibliográficas
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“A emoção é odiada; é sentida como sendo forte demais para ser contida pela psique imatura, e como ligando objetos e dando realidade a objetos que são não-self e, portanto, hostis ao narcisismo primário.”
— W. R. Bion, Ataques ao Elo de Ligação
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